Tecnologia prepara
ofensiva na Bolsa
![]()
O setor de tecnologia, hoje representado por apenas seis empresas na Bolsa de
Valores de São Paulo, deve ser responsável por boa parte dos próximos IPOs
(sigla em inglês para oferta pública inicial de ações). Pelo menos três
empresas estão planejando abertura de capital para os próximos anos. Em
estágios diferentes, Alog Data Center, BRQ e Cimcorp estão perto de negociar
suas ações no mercado brasileiro.
"Acredito que ainda não estamos preparados para o mercado, mas o nosso
plano é abrir o capital em dois a três anos", revela Benjamin Quadros,
presidente fundador da BRQ, uma prestadora de serviços de Tecnologia da
Informação com faturamento anual de R$ 200 milhões. "Acredito que, para
ter sucesso na abertura de capital, temos de chegar a R$ 800 milhões. Nossa
meta é chegar a R$ 1 bilhão em faturamento daqui quatro anos", completa.
Quadros só admite antecipar a abertura de capital caso o mercado brasileiro
mude. "Se o programa BovespaMais [criado para incentivar a abertura de
capital de pequenas empresas] andar, podemos entrar antes no mercado."
Um dos sócios da BRQ é o braço de participação do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDESPar. "Eles investiram R$ 56
milhões na companhia em 2007, e pediram para que iniciássemos um processo de
abertura de capital. Eles acreditam no projeto, e querem fortalecer as empresas
de tecnologia de capital nacional."
Já a Alog está iniciando seu projeto de entrada na Bolsa de Valores de São
Paulo. Segundo Emanuel Dutra, diretor financeiro, a companhia acabou de
contratar uma assessoria para analisar a melhor maneira e o tempo necessário
para a abertura de capital. Mas acredita que o potencial para empresas do porte
da Alog é muito bom. "Inevitavelmente, o mercado vai se preparar para
receber empresas de menor porte. Hoje, nos Estados Unidos, a média de captação
na Bolsa é de US$ 50 milhões. E essa será a realidade aqui também", opina.
Nos nove primeiros meses deste ano, a Alog registrou um faturamento de R$ 52
milhões, 30% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. "Este
tem sido nosso ritmo de crescimento, de 30% ao ano. Uma empresa como a nossa
tem maior potencial de crescimento do que as grandes empresas, e por isso, se
tornam um bom negócio".
A Alog oferece terceirização de infraestrutura de tecnologia, e tem como
clientes principalmente médias e grandes empresas, como a Petrobras, que é
cliente da companhia. "É um serviço que ainda enfrenta resistência por
parte das pequenas empresas, mas acredito que nosso
potencial de crescimento é bem consistente", afirma Dutra.
Ambos acreditam que ainda haverá um movimento de consolidação muito forte nesse
setor. "Cerca de 60% do mercado está na mão de algumas grandes empresas, e
40% está bem pulverizado. E nós estamos estudando as oportunidades",
afirma Quadros, da BRQ. "Esse é um setor que ainda guarda muitas chances,
e nós estamos na ponta consolidadora", relata Dutra.
A Cimcorp, que também presta serviços de tecnologia para empresas, afirmou, por
meio de sua assessoria de imprensa, que estuda a abertura de capital da
companhia já para o primeiro trimestre de 2010. Até o fechamento da edição, não
foi possível entrevistar o porta-voz da companhia.
Boa rentabilidade
As empresas do setor que já estão listadas em Bolsa proporcionam ótimo retorno
a seus acionistas esse ano. Os papéis ON da Positivo Informática se valorizaram
mais de 400% nos últimos 12 meses. No mesmo período, as ações ordinárias da
Totvs subiram 160,24%, as da Ideiasnet, 132,90%, e as da Bematech, mais de
118%. Os papéis preferenciais do UOL se valorizaram 78,35% no período. Ainda
nova no mercado de capitais, os papéis da Tivit não demonstram desempenho
animador: queda de 10% desde o lançamento, em 28 de setembro.
"A perspectiva para o mercado de tecnologia e TI é cada vez melhor porque
o mundo caminha para uma conectividade cada vez mais forte", explica Hélio
Bampi, diretor de relações institucionais da Associação das empresas de
soluções de telecomunicações em informática (Abeprest).
Acionistas, investidores e ex-conselheiros da Ideiasnet
apresentaram uma oferta pública para aquisição (OPA) das ações ordinárias da
companhia. A proposta foi feita pela Centennial Asset Mining Fund, Hankoe Fundo
de Investimento em Participações, Fundos
Mercatto, Total Return Investment e Gustavia Investors, que juntos possuem
30.331.499 das 104.432.772 de ações de emissão da companhia.
Link: http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=7&id_noticia=306590
Fonte: Jornal DCI (online e impresso)
Data: 03/11/2009