Nuvem pública ou
privada?
A computação em nuvem
já se mostrou uma boa opção para as empresas, por reduzir custos e gerar
flexibilidade. Mas problemas de segurança e disponibilidade precisam ser ainda
resolvidos. Daí a opção cada vez maior das empresas por nuvens privadas
Por
Rosa Sposito
Nuvem
é uma palavra que está hoje no vocabulário da TI das maiores empresas
brasileiras. Mas questões como segurança e disponibilidade fazem com que as
companhias adotem uma dose extra de cautela. Tanto que o conceito ganhou uma
variação: existem as nuvens públicas e as nuvens privadas (ou private cloud). No primeiro caso,
estão grandes provedores de serviços – como a Amazon
e o Google – cujos equipamentos, infraestrutura
ou aplicações são compartilhados por milhares de
clientes em todo o mundo, por intermédio da internet. Já a nuvem privada é a
que fica dentro do ambiente protegido (firewall) da empresa e tem o acesso
restrito, geralmente aos seus funcionários e parceiros de negócio.
“A nuvem privada oferece mais segurança, porém exige investimentos em ativos”,
diz Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias
aplicadas da IBM Brasil e autor de um livro recente sobre cloud
computing (Computação em Nuvem: Transformando o Mundo da Tecnologia da
Informação). “De maneira geral, a nuvem privada é usada quando há a necessidade
de níveis mais rigorosos de segurança e privacidade, ou de garantia de
disponibilidade da aplicação, sem os inevitáveis atrasos de acesso via
internet”, afirma Taurion.
Qual é a diferença entre os dois tipos de nuvem? Para o usuário, nenhuma,
afirma Taurion. O conceito de cloud
computing envolve alguns critérios, válidos tanto para a nuvem pública quanto
para a privada. O instituto Gartner definiu cinco
atributos que considera essenciais para caracterizar esse conceito: oferta de
recursos (infraestrutura e aplicações) como serviços;
elasticidade e escala adequadas à demanda do cliente;
compartilhamento de recursos entre um grande número de usuários; medição e
pagamento de acordo com o uso do serviço; e, por fim, utilização de protocolos
e tecnologias da internet para acesso aos recursos na nuvem (pública ou
privada).
Vários desses atributos já são contemplados em outros conceitos, tecnologias e
modalidades de comercialização de serviços de tecnologia da informação. É o
caso, por exemplo, da virtualização de servidores,
que consiste na criação de máquinas virtuais (em geral, por meio de software) a
partir de um ou mais equipamentos que passam a ter sua capacidade compartilhada
– o que reduz a ociosidade e o consumo de energia, contribuindo para a chamada
TI Verde. Outro exemplo é a oferta de aplicações como serviço – no modelo SaaS (Software as a Service), em que a empresa troca o investimento na
aquisição de licenças de um programa, que passam a ser suas, pelo pagamento de
uma taxa que varia conforme o uso. Tudo isso está diretamente relacionado à
necessidade de redução de custos, uma meta constante dos gestores – não só de
TI – em todas as empresas. “A
crise econômica acabou dando um empurrão nessa necessidade, ao abrir os olhos
para o desperdício. Isso levou os gestores a buscar conceitos como a virtualização de servidores e o cloud
computing”, afirma Antonio Carlos Pina, diretor de tecnologia da Alog Data
Centers.
Mas a economia não é a única vantagem que vem estimulando as empresas a
apostarem na computação em nuvem. Flexibilidade, agilidade para atender às
demandas do negócio e até a preocupação com a sustentabilidade são fatores que
têm um peso importante nessa decisão.
“As empresas estão buscando mais agilidade nos negócios e a tecnologia é
fundamental para isso”, diz Ricardo Neves, sócio responsável pela área de
consultoria em tecnologia da Pricewaterhouse Coopers. Ele lembra que, ao longo dos anos, a automação de
processos acabou criando estruturas de tecnologia proprietárias e muito pouco
flexíveis. “Se, de um lado, elas deram eficiência operacional à empresa, de
outro criaram um engessamento que tirou a agilidade do negócio”, afirma. Com o
compartilhamento de estruturas e recursos, a ideia é
resgatar a flexibilidade e a agilidade para atender às demandas. É o que o Gartner chama de elasticidade.
O problema é que uma nuvem pública, como a da Amazon,
não oferece a segurança e a privacidade de informações que muitas corporações
exigem. Por isso, apesar de todas as suas vantagens, o cloud
computing ainda é visto com cautela – ou até desconfiança – em diversas
empresas. “A tendência é a adoção gradativa, com o uso de alguns componentes
desse conceito”, diz Ricardo Neves, da PricewaterhouseCoopers.
“Por exemplo, antes de comprar um novo servidor, a empresa pode considerar a
possibilidade de usar a virtualização. Ou, quando for
adotar uma nova solução do tipo CRM (sistema de gerenciamento de relações com
clientes), pode partir para o modelo SaaS
e contratar um serviço como o da Salesforce.com”, diz Neves.
Esse, de fato, tem sido o caminho escolhido pelas empresas que estão apostando
na computação em nuvem. A TecBan
(Tecnologia Bancária), empresa responsável pela rede Banco24 Horas, começou a
investir nesse conceito há dois anos, a princípio com aplicativos não
considerados essenciais para o negócio. É o caso das aplicações de processo de
avaliação, acompanhamento de campanhas de expansão, e-procurement
(gerenciamento de fornecedores), portal de treinamento e Sistema de Pagamento
Brasileiro (SPB) pelo protocolo de comunicação SIP (Session
Initiation Protocol).
“Estamos usando esses aplicativos no modelo SaaS”, diz Lisias Lauretti, CIO da TecBan.
As principais vantagens, segundo ele, são a agilidade para implantar a solução,
a flexibilidade para atender às variações de demanda e, também, o maior
controle dos custos. “Além disso, concentramos o foco na nossa atividade
principal, que é o ambiente transacional, operacional, e na segurança”, diz Lauretti. Agora a empresa está avaliando a possibilidade de
adotar o conceito de cloud computing também no
ambiente de captura e autorização das transações. “Os testes estão adiantados,
mas, por ser um ambiente crítico, ainda devem ir até novembro”, afirma.
A TecBan também usa a nuvem
privada para o acesso a essas aplicações. Segundo Lauretti,
na medida em que o conceito ganhar maturidade, a ideia
é, no futuro, colocar na nuvem tudo o que precisa de mais flexibilidade. Isso
inclui o sistema de gestão e até uma aplicação de Business Intelligence
(BI), que acompanha a disponibilidade da rede Banco24 Horas. “Essa é uma
aplicação que tem uma demanda voraz de processamento em alguns períodos do dia
e, em outros, nem tanto. Portanto, é um caso que exige flexibilidade”.
Link: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI96465-17453,00-NUVEM+PUBLICA+OU+PRIVADA.html
Fonte: Época Negócios
Data: 07/10/2009